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Lama, tração e muita aventura: jipeiros desbravam Trilha da Butuca

Quem não tem medo de se sujar e adora uma aventura se divertiu no último sábado (10), com o roteiro de jipes na Trilha da Butuca, em Pontal do Paraná. Ao todo, 23 jipes, com 58 participantes concluíram o passeio cortando a mata, fazendo a lama voar e, às vezes, atolando. Mas para este pessoal, não tem dificuldade não. Todo mundo se ajuda e dá uma mãozinha, usando um cabo forte e tração. E assim, o passeio na trilha segue.

Um dos jipeiros mais velhos e ex-presidente do Jipe Clube de Curitiba, Joselito Voltolini, contou que, apesar de já ter feito várias trilhas, essa é a primeira vez na Trilha da Butuca. Foi em 1996 a primeira vez que andou de jipe e, de lá para cá, não largou mais. “Já tentei outras coisas mas tem que ser o jipe, o jipe ‘tá’ na veia”. E quase ninguém vai para trilha sozinho, cada jipe leva uma família.  “O mais importante é o companheirismo, o grupo, a diversão é tudo!”, falou Voltolini.

Agora Joselito leva a esposa e o filho pequeno no seu jipe, enquanto a filha, Daniele Voltolini, segue a ‘trilha’ do pai abrindo seu próprio caminho dentro do esporte.  “Antigamente quase não víamos mulheres na trilha, mesmo acompanhando seus maridos. Acho que isso ocorre em todos os esportes automobilísticos. Agradeço muito por ter um pai que foge à regra e que fazia questão muitas vezes que eu fosse pra oficina junto com ele”, contou Daniele.

O atual presidente do clube, Allan Chimentão, disse que o esporte une a família, sela amizades, cria companheirismo. Hoje ele estava na trilha na companhia da esposa e dos dois filhos. Para ele, a parte mais divertida é “puxar cabo, atolar. E o churrasco depois”, brincou.

No caso de Allan, a paixão pelo off road começou já na infância. Ele e o irmão, Anselmo, andavam de moto com o pai e o tio nos arredores da chácara da família. Os dois têm uma loja de carros em sociedade e, quando começaram a andar de jipe, gostaram tanto que passaram a comercializar apenas esse tipo de veículo. Eles vivem nas trilhas, já fizeram várias em todo o Brasil, inclusive a que é considerada a mais pesada, a trilha do Telégrafo. Em 29 horas eles completaram o percurso, que pode durar vários dias.

“O mais difícil é quando o carro quebra, aí não tem como, ou você se vira com parafuso, alicate e arame, o que você tem na mão, ou você tem que pedir ajuda para alguém vir te puxar. Mas o legal é você conseguir arrumar e tirar o carro do lugar”, contou Allan. Para quem quer se meter no mato dentro de um 4×4, mas tem receio, Anselmo explicou que a pilotagem em trilha não tem segredo, é só prestar atenção no jipe que vai na frente, manter a trajetória. Mas e o primeiro jipe? “Aí é arriscar, precisa de coragem!”, destacou.

Colaboração Esporte Paraná

(Fotos: Amanda Iargas/ Esporte Paraná)